
Jesus Punk Rock de Sean Phillips é uma grata surpresa porquê rompe com isto. É verdadeiramente uma história que poderia receber rótulos como ficção científica ou cyberpunk. Não é nenhuma delas, podendo, no entanto, ser um misto.
A história parte de uma premissa inovadora: clona-se Jesus Cristo a partir do Sudário de Turim para um reality show. O responsável pela segurança do empreendimento é um ex-membro do IRA, que como parte da população mundial vê o programa J2 como a segunda vinda! Neste interim a série já dá espaço para os questionamentos de moralidade da clonagem, da exploração da vida pelos reality shows, além de todos os questionamentos religiosos sobre o Sudário, sobre Jesus, sobre aquilo que é belo para as massas.O simples fato de não ter vilão (até o momento, advirto, ou seja, as edições #1 e 2) e ter um anti-herói como personagem principal, cujas experiências na Irlanda são narradas em poderosos flash-backs, torna a série melancólica e extremamente violenta. Visualmente este segurança é muito semelhante à Frank Castle, o Justiceiro da Marvel Comics, o quê pode tornar a série mais palatável para os gostos viciados em quadrinhos de heróis.
Ou detalhe curioso que é a segunda série VERTIGO que trata de umreality show e é publicada em preto & branco. A primeira foi uma edição especial de Hellblazer lançada no ano passado (veja aqui). Diferente das narrativas habituais dos quadrinhos, Jesus Punk Rock é uma história que certamente lembra literatura e que impressiona não por explosões e cores vibrantes, mas por apostar em um roteiro ousado e antevê questionamentos interessantes ao leitor.
Jesus Punk Rock de Sean Phillips, minisérie em seis partes, mensalmente em Vertigo da Panini Comics a partir da edição #40.


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